sexta-feira, 21 de novembro de 2014

OUVIDOS E OLHARES PARA "ENDLESS RIVER" - o "novo" disco do Pink Floud




Bem ,acho que o bordão “Pink Floyd é Pink Floyd” poderia caber em outro, naquele ”David Gilmour É David Gilmour”. Mas de qualquer forma, a viagem está lá. Talvez a prometida jornada final, mesmo que muita gente ache que isso já aconteceu há muito,mas MUITO tempo atrás. O que percebo é que o Gilmour quis colocar uma pedra final em cima da banda, em longas jams instrumentais requentadas ,afinal são materiais que sobraram de “division Bell, ou seja , foi pra dar cabo as gravações que exuberaram aos encontros e desencontros do grupo no final da década de 90.

Mas isso não é uma critica degenerativa ao lançamento: o que importa é a sensação de sonho, que é uma meta que se efetua. E digo mais: Cada vez que se ouve “endless River”fica melhor nos ouvidos, e é claro, se você tiver tempo ou paciência para ouvir de novo, em meio ao caos urbano dos carros entrelaçados que tocam lixo sonoro como “Jorge & Mateus” com seus congêneres oportunistas de agroboy e ou até mesmo, a velocidade da informação que não passeia, mas corre, neste século 21.

AO ÁLBUM

Etéreo & estéreo começa assim a significação do trajeto. Assim como em outros exemplos como em “the wall”, talvez os teclados nem sejam do genial Richard Wright ,mas existem as referencias dele e de timbres dos discos do final da década de 70 (principalmente do disco de 1975 e coisas do “momentary”) tão Wright ,que irão satisfazer os fãs radicais de todas as fases. Acho que Rogerinho das águas Waters vai ignorar mais do que os últimos da fase do ultimo líder, pois se existe algum conceito de epílogo, talvez este reverbere mais em um disco de rock progressivo de guitarras- do que uma reflexão musical/psicológica/arquitetônica/política de razões mil que é a marca maior desse grupo inglês.



Explico nos excêntricos detalhes os quatro lados do disco duplo:
-O lado UM,é um belo desfile da Fender de Gilmour em cima da base de “cama “ de teclados característicos do conjunto;
-Uma das mais belas partes do lado DOIS é “anisina “ um daqueles momentos mágicos que valem a pena ter o CD: o saxofone de “aqui-e-ali” e um som de chuva não padecem de existir em dar vazão em ser, no lado 2. Muita gente falou que é o pior momento do disco, entretanto, soa como Floyd e isso que importa;
- A parte TRÊS é uma Jam também com direito a “autumn 68” que se for o Wright no órgão de tubos, também se considera a aquisição bem paga. Assim como a participação do cosmólogo/físico/ cientista Stephen Hawking que dá seu recado na última parte deste lado: a alta tecnologia mais sofisticada pode se aliar SIM com os sentimentos humanos mais nobres, pois afinal, entre vivos e mortos, renascem todos;
-a parte QUATRO também dividida em partes instrumentais tem seu ápice na mais esperada “Louder than words”. Com letra da esposa de Gilmour,Polly Samson, é a faixa que diz categoricamente “Se chorei ou se sorri/o importante/É que emoções eu vivi” e é maravilhosa, suave e com melodia típica de Gilmour :ele fez pra quem ouvir, navegar entre as nuvens com uma olhadinha pra baixo, ou seja, uma piscadelas na ilhas de um mar calmo e verde na Irlanda do norte;
-Pra quem for adquirir a Edição deluxe existem as espontâneas, entretanto fracas “TBS9” “TBS14” e a tal “Nervana”.Essa me parece a coisa mais clara da vida de Gilmour em dar cabo as gravações derradeiras: O Pink Floyd soando como se a Yamanha investisse em um Gilmour preguiçoso plagiando Neil Young com Eric Clapton na guitarra solo. Estranha e ao mesmo tempo polida no peso,é uma decisiva colocação de Bônus. As faixas extras Não irão mudar a vida de ninguém ou de nenhuma forma de expressão galáctica,mas como extra-track, vale o real.

DESFECHO da OBRA

Resumo da aventura: “on an island” ultimo disco solo do Gilmour me saciou um pouco mais na saudade da banda, entretanto, pra quem for adquirir “endless river”, não pode pensar em decepções, afinal o fã do Pink Floyd legitimo tem de ser cabeça aberta a todas as propostas conceituais do grupo. Mesma as mais abertamente comerciais. Menos pop do que todos da fase “Gilmour”, é um disco para quem não se importa com os lançamentos e nem as bandas novas de musiquinhas pequenas de 2014. Pudera! Nunca pode se esperar algo do Syd, um novo “Dark side” ou um novo “The wall”, mas afinal você também não queria que fosse, né? .Nota:8,5.



Danilo Ferraz

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