sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Desde o carnaval de 2008 eu não tinha uma segunda-feira tão memorável- Paul McCartney no Espírito Santo







Ontem eu vi pessoas felizes por ser segunda-feira. Vi famílias inteiras indo para o show de uma das maiores lendas vivas da música. Vi gente que nunca tinha pisado em um estádio estar feliz de estar lá. Vi gente que não conhecia nenhuma música do setlist se divertir do mesmo jeito. Vi gente de ônibus, taxi e carro chegar sem problema. Vi gente tomando todas como se hoje fosse domingo. Vi gente elogiando a organização, estrutura e o estádio (que tá bonito mesmo!). Vi uns crentes chatos querendo pregar a palavra do Senhor com música ruim. Vi choro, risos, gritos, aplausos e felicidade. Vi cambista se ferrando e tomando prejuízo. Por fim, vi um puta show e mais de 30 mil pessoas indo ao delírio. Não importa se foi em Cariacica, Vitória ou Água Doce do Norte, importa que foi no Espírito Santo - que agora está mais do que preparado pra grandes espetáculos.

Allan Diego Brito

Oboro Muramasa, a plataforma.






Em uma terra 3D, quem é plataforma é rei.

Afinal, o que esperamos de um game? História? Diversão? Gráficos? Não é fácil agradar a todos. Como o fator Gráficos, por exemplo: Old Gamers, algumas vezes, preferem um game todo pixelado, exigindo apenas uma boa trilha sonora; enquanto os New Gamers (se me permitem) esperam os mais complexos gráficos em uma fusão com efeitos mirabolantes.

O fato é que a inovação está aí, e ela continuará sofrendo sua constante metamorfose dentro do mercado dos jogos digitais. Ao mesmo tempo, o culto ao vintage tem garantido a felicidade para os mais saudosistas. Atualmente, há vários lançamentos de games no grande estilo retro. E não falo apenas dos famosos Indie Games.



Oboro Muramasa ou Muramasa: The Demon Blade - no ocidente - é um tipico jogo de plataforma. Caracterizado, também, como um Action RPG. Desenvolvido pela Vanillaware, Oboro Muramasa é um primo não tão distante de Odin Sphere que foi lançado em 2009. A partir daí já se tem uma ideia do quão belo é a arte de Muramasa. Mesmo que esta data sugira não ser mais uma novidade, devemos lembrar que o Nintendo Wii - ou toda a 7ª Geração - ainda é uma novidade para grande parte dos brasileiros.

O objetivo, além de zerar com os dois personagens - Momohime e Kisuke -, é coletar as chamadas Demon Blades. Com elas, o game libera outros finais que ajudam a entender melhor a história. São 108 dessas belezinhas, cada uma com uma habilidade especial diferente. E mesmo depois de zerar com todos os finais, todas as espadas, explorando todo o mapa, ainda existem desafios. E isso, talvez, é o que chama mais atenção.

Espalhados pelo mapa - do Japão Feudal -, existem os Enemy Lairs. São pequenas árvores mortas com uma entrada barrada por uma força sobrenatural. Para conseguir quebrar essas barreiras, é necessário a espada certa, que se consegue derrotando os chefões. Ao passar pela barreira, os personagens entram em desafios no estilo Survival. Dois chefes de uma vez só, ou dez waves de inimigos fracos para que o jogador ponha em prática suas habilidades com as espadas demoníacas. Isso tudo sem morrer. Além desse desafio, também tem um modo Hard - lá chamado de Shigurui - pra quem zera o game no modo Normal - Shura.

O modo Shigurui é o mesmo dos outros, só que não importa qual o level, o HP será sempre 1. Ou seja, se tomou uma shuriken na canela, já era! Isso, sim, que é desafio. Nada de tutoriais gigantescos. Nada de efeitos complicados só pra chamar a atenção. Nesse desafio é a sua habilidade e persistência que fará a diferença.



Quem pensa que esses desafios são as únicas novidades, precisam conferir o sistema de batalha de Muramasa. Chama a atenção por ser flexível e rápido. Os personagens realmente trespassam seus inimigos; ricocheteiam shurikens e kunais; planam no ar para alcançar um inimigo voador; e cortam todos que estiverem na tela com apenas uma troca de espada.

Muramasa é o jogo de plataforma que faltava para as crianças que começaram suas jogatinas nessas gerações atuais. Arrisco a comparar com os antigos Castlevanias. Uma versão ninja e mais simples, mas com os objetivos facilmente traçados e lineares. E, ainda, com a possibilidade de usar um controle de Game Cube ou um Classic Control do Wii. Deixando os balanços repetitivos do Wii Remote um pouco de lado.

A expectativa, no entanto, de que jogos como este sejam lançados para novos consoles, como o Wii U, por exemplo, não é lá a das maiores. Salvo em consoles portáteis e jogos independentes. Mas é, sim, importante que haja esse equilibrio entre jogos mais simples e as grandes produções inovadoras. Vida longa à Plataforma!

Matheus Bolognini

OUVIDOS E OLHARES PARA "ENDLESS RIVER" - o "novo" disco do Pink Floud




Bem ,acho que o bordão “Pink Floyd é Pink Floyd” poderia caber em outro, naquele ”David Gilmour É David Gilmour”. Mas de qualquer forma, a viagem está lá. Talvez a prometida jornada final, mesmo que muita gente ache que isso já aconteceu há muito,mas MUITO tempo atrás. O que percebo é que o Gilmour quis colocar uma pedra final em cima da banda, em longas jams instrumentais requentadas ,afinal são materiais que sobraram de “division Bell, ou seja , foi pra dar cabo as gravações que exuberaram aos encontros e desencontros do grupo no final da década de 90.

Mas isso não é uma critica degenerativa ao lançamento: o que importa é a sensação de sonho, que é uma meta que se efetua. E digo mais: Cada vez que se ouve “endless River”fica melhor nos ouvidos, e é claro, se você tiver tempo ou paciência para ouvir de novo, em meio ao caos urbano dos carros entrelaçados que tocam lixo sonoro como “Jorge & Mateus” com seus congêneres oportunistas de agroboy e ou até mesmo, a velocidade da informação que não passeia, mas corre, neste século 21.

AO ÁLBUM

Etéreo & estéreo começa assim a significação do trajeto. Assim como em outros exemplos como em “the wall”, talvez os teclados nem sejam do genial Richard Wright ,mas existem as referencias dele e de timbres dos discos do final da década de 70 (principalmente do disco de 1975 e coisas do “momentary”) tão Wright ,que irão satisfazer os fãs radicais de todas as fases. Acho que Rogerinho das águas Waters vai ignorar mais do que os últimos da fase do ultimo líder, pois se existe algum conceito de epílogo, talvez este reverbere mais em um disco de rock progressivo de guitarras- do que uma reflexão musical/psicológica/arquitetônica/política de razões mil que é a marca maior desse grupo inglês.



Explico nos excêntricos detalhes os quatro lados do disco duplo:
-O lado UM,é um belo desfile da Fender de Gilmour em cima da base de “cama “ de teclados característicos do conjunto;
-Uma das mais belas partes do lado DOIS é “anisina “ um daqueles momentos mágicos que valem a pena ter o CD: o saxofone de “aqui-e-ali” e um som de chuva não padecem de existir em dar vazão em ser, no lado 2. Muita gente falou que é o pior momento do disco, entretanto, soa como Floyd e isso que importa;
- A parte TRÊS é uma Jam também com direito a “autumn 68” que se for o Wright no órgão de tubos, também se considera a aquisição bem paga. Assim como a participação do cosmólogo/físico/ cientista Stephen Hawking que dá seu recado na última parte deste lado: a alta tecnologia mais sofisticada pode se aliar SIM com os sentimentos humanos mais nobres, pois afinal, entre vivos e mortos, renascem todos;
-a parte QUATRO também dividida em partes instrumentais tem seu ápice na mais esperada “Louder than words”. Com letra da esposa de Gilmour,Polly Samson, é a faixa que diz categoricamente “Se chorei ou se sorri/o importante/É que emoções eu vivi” e é maravilhosa, suave e com melodia típica de Gilmour :ele fez pra quem ouvir, navegar entre as nuvens com uma olhadinha pra baixo, ou seja, uma piscadelas na ilhas de um mar calmo e verde na Irlanda do norte;
-Pra quem for adquirir a Edição deluxe existem as espontâneas, entretanto fracas “TBS9” “TBS14” e a tal “Nervana”.Essa me parece a coisa mais clara da vida de Gilmour em dar cabo as gravações derradeiras: O Pink Floyd soando como se a Yamanha investisse em um Gilmour preguiçoso plagiando Neil Young com Eric Clapton na guitarra solo. Estranha e ao mesmo tempo polida no peso,é uma decisiva colocação de Bônus. As faixas extras Não irão mudar a vida de ninguém ou de nenhuma forma de expressão galáctica,mas como extra-track, vale o real.

DESFECHO da OBRA

Resumo da aventura: “on an island” ultimo disco solo do Gilmour me saciou um pouco mais na saudade da banda, entretanto, pra quem for adquirir “endless river”, não pode pensar em decepções, afinal o fã do Pink Floyd legitimo tem de ser cabeça aberta a todas as propostas conceituais do grupo. Mesma as mais abertamente comerciais. Menos pop do que todos da fase “Gilmour”, é um disco para quem não se importa com os lançamentos e nem as bandas novas de musiquinhas pequenas de 2014. Pudera! Nunca pode se esperar algo do Syd, um novo “Dark side” ou um novo “The wall”, mas afinal você também não queria que fosse, né? .Nota:8,5.



Danilo Ferraz